História, narrativa, resistência e utopia em Georges Perec

  • Inajara Erthal Amaral Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Edson Luiz André de Sousa Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil.
Palavras-chave: História, Psicanálise, Narrativa, Utopia, Georges Perec

Resumo

O presente artigo pretende trabalhar a articulação entre história e resistência na obra de Georges Perec, para pensar a potência utópica de seus textos. O autor submete a si e ao leitor às contraintes, que vão construindo um caminho individual numa jornada percorrida conjuntamente, escritor e leitor. Caminho que nos aproxima da leitura psicanalítica sobre o tempo e a história para pensarmos construções de narrativas. Perec transita no limite entre o Real da letra e o Simbólico do nome. Letra que faz operar um não-lugar, possibilidade de narrar, ou seja, através de a escrita da ficção poder se contar, o que implica acessar uma memória que também é coletiva, problematizando, assim, a relação com a história.

Biografia do Autor

Inajara Erthal Amaral, Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil.

Psicóloga e Psicanalista. Membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre-APPOA.

Mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS.

Edson Luiz André de Sousa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil.

Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS.

Professor do Programa de Pós-Graduação de Psicanálise: Clínica e Cultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS.

Pesquisador do CNPQ. Coordenador do Laboratório de Pesquisa em Psicanálise, Arte e Política-LAPPAP.

Referências

AGAMBEN, G. (1979). Infância e história: destruição da experiência e origem da história. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2005.

BACHELARD, G. (1957). La poétique de l’espacé. Paris: Puf, 1989.

BARTHES, R. (1973). O prazer do texto. São Paulo: Perspectiva, 2006.

______. Crítica e verdade. São Paulo: Perspectiva, 1982.

BENJAMIN, W. (1936). O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 197-221. (Obras escolhidas, v. 1).

BENVENISTE, É. Problemas de linguística geral II. Campinas: Pontes, 1989.

BEZERRA Jr., B. Projeto para uma psicologia científica: Freud e as neurociências. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.

BORGES, J. L. (1960). O fazedor. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

______. Uma bússola. In: O outro, o mesmo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

______. (1975). O livro de areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

BURGELIN, C. (1988). Georges Perec. Paris: Seuil, 2002.

CAMARGO, R. F. de. Perec/Lacan – soletrações do enigma: uma tentativa de articulação entre literatura e psicanálise. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

CARROLL, L. Alice no País das Maravilhas. São Paulo: Summus, 1982.

COSTA, A M. M. da. Litorais da psicanálise. São Paulo: Escuta, 2015.

DERRIDA, J. A escritura e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 1995.

ECO, U. A busca da linguagem perfeita. Bauru: Edusc, 2002.

FREUD, S. (1920). Além do princípio do prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1970. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 18).

______. (1908). Escritores criativos e devaneios. Rio de Janeiro: Imago, 1970. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 9).

______. (1910). Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci. In: Arte, literatura e os artistas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015. p. 69-165.

______. (1908). O poeta e o fantasiar. In: Arte, literatura e os artistas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015. p. 53-64.

FUX, J. O ludicamente sério e o seriamente lúdico de Georges Perec. Revista Criação e Crítica, 6, p. 28-43, 2011. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/criacaoecritica/article/view/46819>. Acesso em: 20 out. 2016.

______. Literatura e matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o Oulipo. São Paulo: Perspectiva, 2016.

FUX, J.; FEDATTO, C. P.; OLIVEIRA, H. M. de. Enunciação, psicanálise e os jogos literários de Georges Perec. Revista Outra Travessia, 13, p. 95-118, 2012. Disponível em: <http://periodicos.ufsc.br/index.php/outra/issue/archive>. Acesso em: 20 out.2016.

FUX, J.; SANTOS, D. Linguagem, metatestemunho e Shoah em Georges Perec. Revista da ANPOLL, 1, p. 193-207, 2013.

GAGNEBIN, J. M. História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 1999.

JACOBY, R. (2005). Imagem imperfeita: pensamento utópico para uma época antiutópica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

LACAN, J. (1972-1973). O seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

______. (1969-1970). O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992.

______. (1959-1960). O seminário, livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

______. (1953). Função e campo da fala e da linguagem. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. p. 238-324.

______. (1957). A instância da letra ou a razão desde Freud. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. p. 496-533.

______. (1960). Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. p. 807-842.

______. (1971). Lituraterra. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. p. 15-25.

______. (1962-1963). O seminário, livro 10: a angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.

______. (1975-1976). O seminário, livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007.

______. (1964). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.

O PROBLEMA do cavalo. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_do_cavalo>. Acesso em: 30 mar. 2008.

O QUE é a contrainte? In: Ovonovo. 2010. Disponível em: <https://ovonovo.wordpress.com/2010/02/09>. Acesso em: 12 dez. 2016

PEREC, G. La disparition. Paris: Denoel, 1969.

______. Je suis né. Paris: Seuil, 1990.

______. Pouvoir et limites du romancier français contemporain. In: COLET, H. (Org.). Idées sur le roman. Paris: Larousse, 1992.

______. (1975). W ou a memória da infância. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

______. (1974). Espèces d’espaces. Paris: Galilée, 2000.

______. (1974). Especies de espacios. Barcelona: Montesinos, 2001.

______. (1993). A coleção particular, seguido de A viagem de inverno. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

______. (1989). Lo infraordinario. Madrid: Impedimenta, 2008.

______. (1978). A vida modo de usar. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

______. (1965). As coisas: uma história dos anos sessenta. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

______. (1969). O sumiço. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

______. (1982). Tentativa de esgotamento de um local parisiense. São Paulo: Gustavo Gili, 2016.

PEREIRA, V. C. A contrainte como jogo retórico na poética do OULIPO. In: Matraga, 20(33), p. 174-193, 2013. Disponível em: <http://www.pgletras.uerj.br/matraga/matraga33/arqs/matraga33a08.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2018.

PINO, C. A. A ficção da escrita. Cotia: Ateliê Editorial, 2004.

POMMIER, G. Nascimento y renascimento de la escritura. Buenos Aires: Nueva Visión, 1996.

______. O conceito psicanalítico de infância. In: Trata-se uma criança/I Congresso internacional de psicanálise e suas conexões. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1999.

POSTMAN, N. (1982). Desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 2005.

PROUST, M. (1927). O tempo redescoberto. Porto Alegre: Globo, 1976.

ROSSET, C. O real e seu duplo: ensaio sobre a ilusão. Porto Alegre: L&PM, 1988.

SELIGMANN-SILVA, M. História, memória, literatura: o testemunho na era das catástrofes. Campinas: Unicamp, 2003.

______. O local da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Editora 34, 2005.

SOUSA, E. L. A. de. A imagem imperfeita. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 1, p. 11-22, 1990.

______. O inconsciente entre o escrito e o escritor. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 15, p. 28-35, 1998.

______. Uma invenção da utopia. São Paulo: Lumme, 2007.

______. A potência iconoclasta do objeto a: psicanálise e utopia. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 36, p. 93-101, 2009a.

______. Utopia e objeto a. Revista Polêmico, 8(3), 2009b.

______. Vida privada e objeto a – Ato: Lacan e Tolstói. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 39, p. 39-48, 2010.

______. Faróis e enigmas: arte e psicanálise à luz de Sigmund Freud. In: FREUD, S. Arte, literatura e os artistas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015a. p. 317-331.

______. I margens utópicas: contrafluxos do futuro. Correio APPOA, 246, 2015b. Disponível em: <http://www.appoa.com.br/correio/edicao/246/i_margens_utopicas_contrafluxos_do_futuro/221>. Acesso em: 22 mar. 2018.

______. I margens utópicas: contrafluxo do futuro. In Revista Mesa, 4, 2015c. Disponível em: <http://institutomesa.org/RevistaMesa_4/think-piece/>. Acesso em: 22 mar. 2018.

TELLIER, H. le. Esthetique de l’Oulipo. Paris: Le Castor Astra, 2006.

Publicado
04-12-2019
Como Citar
AMARAL, I.; SOUSA, E. História, narrativa, resistência e utopia em Georges Perec. Cadernos de Psicanálise (CPRJ), v. 41, n. 41, p. 77-102, 4 dez. 2019.
Seção
Artigos Temáticos