De uma metapsicologia borderline e sua relação com o manejo clínico na conjugalidade

  • Mariana Kehl Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Palavras-chave: Borderline, Metapsicologia, Clínica, Conjugalidade

Resumo

A instituição de novos paradigmas e a fragmentação de valores tradicionais constituem-se como marcas da contemporaneidade. A clínica reflete as transformações da cultura e é convocada a se ocupar de confgurações subjetivas que podem se apresentar sob a forma de quadros denominados borderline, circunscritas pela presença de elementos traumáticos e hiatos expressivos no âmbito da capacidade representacional dos sujeitos. Considerando-se a importância para a práxis psicanalítica e a escassez de trabalhos que se dediquem à conjugalidade nas patologias narcísico-identitárias e seu tratamento, o objetivo deste trabalho é realizar uma reflexão teórica acerca de uma metapsicologia dos casos limítrofes e as especifcidades de seu manejo clínico no contexto do atendimento de casais.

Biografia do Autor

Mariana Kehl, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Psicanalista, Psicóloga/Faculdade de Ciências Médicas – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), graduação em psicologia/Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)/Eberhard Karls Universitat Tubingen, mestrado em Psicologia Clínica/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)/Universidad Autónoma de Madrid, doutoranda em Psicologia Clínica/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

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Publicado
28-11-2018
Como Citar
KEHL, M. De uma metapsicologia borderline e sua relação com o manejo clínico na conjugalidade. Cadernos de Psicanálise (CPRJ), v. 40, n. 39 jul/dez, p. 213-227, 28 nov. 2018.