O estilo epistêmico de Michael Balint

“Grupos Balint”, utopias médicas e o legado da Escola de Psicanálise de Budapeste

  • Raluca Soreanu Universidade de Londres, Londres, Inglaterra
Palavras-chave: Michael Balint, Grupos Balint, Escola de Psicanálise de Budapest, Contratransferência, Utraquismo

Resumo

Este artigo analisa a relação entre as ideias teóricas de Michael Balint sobre saúde e doença, sua prática de trabalho em grupo com médicos (“grupos Balint”) e algumas ideias epistemológicas menos conhecidas da Escola de Psicanálise de Budapeste – lar psicanalítico de Balint. Embora Balint tenha começado a explorar o trabalho com grupos nos anos 1920 e 1930 em Budapeste, seu método amadureceu depois de seu exílio na Inglaterra, nos anos 1950. Este artigo baseia-se na rica correspondência de Balint encontrada nos arquivos da Sociedade Britânica de Psicanálise, e em documentos que apreendem a construção dos “grupos Balint”. O objetivo aqui é recuperar a radicalidade de Balint em seu trabalho com médicos, assim como propor uma genealogia desta radicalidade. Em primeira instância, reconstruímos o clima cultural e político de Budapeste nos anos 1920 e 1930. Em um segundo momento, nos concentramos nas ideias de Sándor Ferenczi sobre epistemologia e sobre a relação entre psicanálise e medicina. Em seguida, discutimos o lugar da contratransferência na Escola de Psicanálise de Budapeste. Finalmente, abordamos as particularidades do encontro entre psicanálise e medicina tal como se deu na Inglaterra, nos anos 1950.

Biografia do Autor

Raluca Soreanu, Universidade de Londres, Londres, Inglaterra

Wellcome Trust Fellow in Medical Humanities, Department of Psychosocial Studies, Birkbeck College/University of London. Membro efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ).

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Publicado
28-11-2018
Como Citar
SOREANU, R. O estilo epistêmico de Michael Balint. Cadernos de Psicanálise (CPRJ), v. 40, n. 39 jul/dez, p. 229-250, 28 nov. 2018.